A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) confirmou a articulação de uma possível greve nacional de caminhoneiros, com início previsto para a próxima quinta-feira (19). O movimento é uma resposta ao reajuste no preço do diesel anunciado pela Petrobras, que tem gerado forte insatisfação entre os profissionais do setor.
No dia 14 de março, a Petrobras reajustou em R$ 0,38 por litro o preço do diesel A vendido às distribuidoras, informando que o aumento estava em consonância com sua estratégia de formação de preços e a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela crise no Oriente Médio. A companhia ressaltou que o último ajuste havia sido uma redução em maio de 2025 e que, no acumulado desde dezembro de 2022, os preços registram queda de 29,6% considerando a inflação do período. Além disso, a Petrobras afirmou que o impacto ao consumidor final foi mitigado pela zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e pela aprovação da adesão ao programa de subvenção econômica à comercialização do combustível, que prevê o pagamento de R$ 0,32 por litro às empresas beneficiárias, dependendo da publicação de regulamentos pela ANP.
No entanto, para os caminhoneiros, o aumento da Petrobras anulou os efeitos práticos das medidas anunciadas pelo governo federal no dia 12, que previam redução de até R$ 0,64 por litro com a eliminação de tributos e incentivos para importadores. A categoria também reivindica o cumprimento do piso mínimo de frete previsto na Lei 13.703/2018, além de maior fiscalização por parte da ANTT e isenção de pedágio para caminhões vazios. Muitos motoristas relatam que, diante da alta dos custos e da dificuldade de repassar os aumentos no frete, estão "pagando para trabalhar".
A mobilização ganhou força após uma assembleia realizada na segunda-feira (16) no porto de Santos (SP), que reuniu lideranças de várias regiões do país. O presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como "Chorão", afirmou que há consenso entre as lideranças para avançar com o movimento, embora ainda seja necessário cumprir etapas legais. Ele também destacou que a mobilização envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais contratados por empresas de transporte.
Apesar do anúncio, especialistas destacam que paralisações desse tipo nem sempre seguem uma coordenação centralizada, já que o movimento costuma se espalhar de forma independente entre os caminhoneiros, muitas vezes por meio de grupos de mensagens. Há indicativos de que algumas paralisações já estão agendadas para os próximos dias em diferentes locais do país, mas a adesão pode variar em cada região. Além disso, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) se reúne nesta quarta-feira (18) em Santos para discutir a possibilidade de suspender temporariamente a paralisação, após a abertura de um canal de negociação com o governo federal, representado pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Diante disso, a dimensão do impacto da possível greve ainda é incerta, sendo necessário acompanhar os próximos dias para avaliar a adesão e as consequências para a logística nacional, que pode enfrentar riscos de desabastecimento e alta de preços em diversos setores.
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